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#1 – Carbona – “Back To Basics” – 1999 – 13 Records

novembro 17, 2009 Deixe um comentário

“Back To Basics” por Wladimyr Cruz

Conheci os Carbonas, se não em engano, no show do Marky Ramone na Broadway. Fui neste show com o João Veloso Jr. (White Frogs) e lá conheci o Melvin, acho. A partir dai, conheci a banda, e voltando pra Santos/SP, onde morava na época, resolvi promover um show da banda por aqui, em parceria com um amigo – Matheus Krempel – curiosamente, o lançamento do “Back To Basics”. O show foi um sucesso, pelo que eu me lembre, e abriu as porteiras do Carbona no litoral paulista.
O disco em si virou uma praga, junto com o “Running Out Of Sense” do Holly TREE era o ‘hors concours’ da garotada da época. “Macarroni Girl”, ao lado de “Hey@ Stop it” e “We Build Our Own Way” (do Street Bulldogs) talvez foram as grandes canções da cena independente em sua virada de século, ao menos em popularidade.
A arte chupada dos Ramones, ao invés de soar pedante, dava norte a quem caçava algo no estilo no Brasil, além é claro, de carimbar a antropofagia pop que permeia todo o álbum, com referências a vida pessoal dos integrantes e ao Rio De Janeiro.
“Back To Basics” influenciou uma geração de bandas bubble-gum, e não fica longe de clássicos internacionais do estilo.

Por que “Back To Basics”?

Foi o disco que definiu, completamente, o que é fazer punk ‘bubble gum’ no Brasil.

O que ouvir?
“Macarroni Girl”

Multimidia:

“Back To Basics” por Melvin Ribeiro (Carbona)

Nesse mês de Novembro o nosso segundo disco, “Back to Basics”, está fazendo 10 anos. Por mais que esse texto seja comemorativo, acho que posso pular toda a parte sobre como não parece ter passado tanto tempo, né?

Nesse instante coloquei o disco pra rolar aqui, pela primeira vez em muito mas muito tempo mesmo. No Carbona normalmente é o Pedro que fica ouvindo os discos pra sempre. Eu e o Henrique ouvimos bem menos depois de gravado. Eu provavelmente faço isso com medo de ouvir de novo e achar que está tudo ruim.

Mas a primeira impressão  é a melhor possível! Gostei muito do jeito como o disco ainda soa! Então, um pouco de História e histórias agora…

Em 99 o Carbona não tinha completado dois anos ainda, fazia shows quase todo final de semana, já tinha feito a tour nos Estados Unidos e Canadá e lançado o “Go Carbona” por lá, estava naquela fase de topar todo tipo de roubada ainda e toda essa atuação tinha levado a gente a ser bastante conhecido/respeitado já.

Por incrível que pareça a demoramos muito a chegar a São Paulo (por alguma razão parecia que as pessoas não iam gostar…). Já tínhamos tocado em Curitiba e em outros lugares e, numa viagem para assistir o show do Marky Ramone na Broadway (tínhamos conhecido o Marky na turnê americana), reconhecemos o André Tor do Zumbis do Espaço, figura central para toda a história do “Back to Basics”. O Pedro tinha comprado o CD do Zumbis num show em Belo Horizonte com o Dead Fish e Zumbis era trilha certa das nossas viagens. Quem conhece o Tor imagina que ele foi no mínimo bastante desconfiado quando fomos abordá-lo, mas ficou com o CD e um tempo depois retomou o contato.

O André já tinha a 13 records e além do Zumbis estava lançando o primeiro Street Bulldogs, um dos discos que mais vendeu na história do selo. Ele se interessou em lançar o “Go Carbona” no Brasil mas o disco já estava na fábrica, pronto pra ser lançado pelo meu selo com o pessoal do ACK, a Traidores Records.

Começamos a tocar com o Zumbis direto e o André soube que já tínhamos algumas gravações de depois do primeiro disco. Mais do que isso, o Henrique tinha acabado de compor algumas das nossas melhores músicas. O André achou que já era hora de lançar nosso segundo disco e fez a proposta: juntar as duas sessões (uma para uma coletânea da Barulho, outra de um split com o Wacky Kids que acabou nunca saindo) e registrar mais uma com as tais músicas novas. Além de todos esses méritos, o cara teve um ainda maior: conseguiu a muito custo convencer que a capa deveria ser retirada de uma camiseta nossa que homenageava o logotipo dos Ramones. A gente achava que a associação direta com os Grandes Mestres ia parecer muito pretensiosa e tentou propor outras idéias, mas acabamos convencidos. De qualquer jeito, era apenas uma coletânea de gravações, né?

A resposta é não. Não era só mais uma coletânea. O “Back to Basics” acabou sendo o disco nosso que mais vendeu, ajudado pela quantidade gigante de shows que fizemos aquela época, a distribuição da 13 e a popularidade do formato CD. Produzido pelo mesmo Stanley Zvaig que fez o “Go Carbona” e o “Mighty Panorama…”, o Back trouxe algumas músicas que viraram favoritas do nosso público e obrigatórias no nosso set list nos anos seguintes: “Macarroni Girl” (nossa música mais conhecida da fase em inglês), “Lolly Pop, Lemon Drops”, “All My Friends are Falling in Love” e “Alarm Clock”.

#FATOS SOBRE O DISCO#

* O lançamento do disco em São Paulo foi no Hangar, num grande show em conjunto com as maiores bandas da época (Zumbis do Espaço, Blind Pigs e Holly Tree) na primeira vez que o Hangar atingiu sua lotação máxima. MUITO QUENTE!

* As fotos desse show foram parar no encarte do nosso disco seguinte, “Straight out of the Bailey Show”.

* Foi o último disco da gente gravado ainda em ADAT, que era o equipamento mais comum nos estúdios da época. O ADAT era uma fita de supervídeo, um formato mais evoluído de videocassete. Só que resolvemos começar a gravação do disco numa Sexta-Feira à noite, e descobrimos que o estúdio estava sem fitas. Fomos até um posto de gasolina e compramos fitas de videocassete mesmo. A qualidade foi a mesma! O único perigo era demorar demais e a fita perder de qualidade, por isso o disco foi mixado logo depois do término das gravações.

* As fotos do encarte do Back to Basics foram tiradas em um show tributo ao Nirvana no finado Ballroom, palco de algumas apresentações memoráveis nossas aqui no Rio.

* “Metal Princess” foi uma versão de “Little Princess”, da minha outra banda na época, o HillValleys. “Are You Like I Used to Be?” foi um presente do Nervoso, que na época era do Beach Lizards e Acabou La Tequila e hoje está em carreira solo. “Hell of a Trick”, gravada com a participação da Vivi Staple, vocalista das Staples, foi um presente do Henrique para o Staples que acabamos gravando também.

* “All My Friends are Falling in Love” foi escrita pelo Fabio Seidl (Ack) em minha homenagem, e a primeira vez que ele mostrou foi no dia do nosso primeiro show “oficial”, no Empório (Rio). Passei no estúdio para buscar o amplificador, era ensaio do ACK, Fabio parou e mostrou a música. Durante muito tempo encerrou nossos shows.

* “Eve of Destruction” foi gravada ao vivo num ensaio que gerou as faixas extras do “Go Carbona” gringo. É um original country (Barry McGuire) mas a gente conheceu primeiro na versão do Dickies mesmo.

* O mesmo Fabio que escreveu “All My Friends…” é o Seidl de “Seidl Doesn’t Have All Ramones Albuns”. Segundo o Henrique, não valia ter o “All the Stuff” (disco que juntava em um cd o primeiro e o segundo do Ramones e em outra edição o terceiro e quarto). Na versão mais memorável dessa música, durante o lançamento do “Back to Basics” no Ballroom, Henrique cantava a música enquanto Fabio gritava “Oh, yes I Have” no microfone dos backings e ia tirando de uma mochila um a um todos os discos do Ramones.

* O disco faz menção a três lugares do Rio “clássicos” para o Carbona: o Empório (citada em “Rock n’Roll Freakshow”, palco de metade dos nossos shows no início), o Baixo Gávea (B.G. em “Are You Like I Used to Be?”) e a pelada na Lagoa (“All My Friends are Falling in Love”).

* Para uma reprensagem do disco chegamos a fazer uma capa nova, com uma guitarra Mosrite. Essa capa aparece no encarte do “…Bailey Show” mas acabou nunca sendo prensada.

* “Ocidental Accidental” é anterior ao Carbona, da época que o Henrique fez uma banda em Curitiba.

* “Tivoli Park” foi um parque de diversões da nossa infância no Rio (ficava na Lagoa). O nome foi tirado de um parque com o mesmo nome na Dinamarca.

* O livro mencionado na letra de “Are You Like I Used to Be?” é o obrigatório “Mate-me Por Favor”. Leia!!!

* A “Macarroni Girl” existe e é nossa amiga até hoje!

O que eles dizem?

“Comprei o cd “Back to Basics” pelo correio atraves do henrique (vocal). Na época fiquei conhecendo a banda pelos flyers de divulgação que usavamos dentro das cartas (flyers de divulgação = spam de hoje em dia uhauhaa). Tinha ouvido falar que a banda era tipo Ramones, Screeching weasel, peguei o cd e não me arrependi PUTA BANDA!”
(Tyello – Dance Of Days/Total Terror DK)

“O ‘Back To Basics’ foi o primeiro CD do Carbona que eu tive, antes mesmo de comprar o “GO”. Na época, eu tocava no Seven Elevenz e antes mesmo da gente gravar a primeira demo, já tocávamos “Are You Like I Used To Be?” em ensaios, Escuto o CD até hoje e na real, para mim, é o melhor que a banda já lançou. É por causa deste CD que a gente conhece os caras e mantemos contato até hoje, ou seja, o CD é bem especial.”
(Tércio – Shileper High)

“Cara, esse foi o primeiro disco independente nacional que eu chamei de meu. ouvi até quebrar. Literalmente. esse CD é BRILHANTE!”
(Pedro Cupertino – Fotógrafo/Fresno/eterno ZP)

“Em 99 já tinha visto shows do Carbona mas o primeiro cd que comprei deles foi esse, e só com o cd em mãos e o vicio que viria com ele que eu percebi que não era só uma banda de bubblegum, o Carbona se firmou praticamente o dono desse rotulo aqui no Brasil, o cd só classicos como “macarroni girl”, “lollypop lemon drops”, “tivoli park”, “all my friends are falling in love” eram cantadas por todos freneticamente nos shows…o ano de 2000 foi marcado por muitos shows memoraveis pra mim no hangar110 com Carbona, Zumbis, Holly Tree…”
(Shamil – Inkognitta + um monte de projetos)

“Falar o que do CD que tem a bela “Tivoli Park” – a única música que homenageia um dos meus lugares favoritos da minha infância”.
(Daniel Ferro – Emoponto)

“Era 1998 se eu n me engano e o Carbona virou o Ramones Brazuca. “Macarroni Girl”, “Alarm Clock”… ‘Back to Basics” é classico do POP PUNK Br.”
(Matheus Krempel – eterno The Bombers)

“Back to Basics é o disco de amadurecimento da fase “em inglês” do Carbona. A inquietude do “Go, Carbona, Go” continua lá, mas agora mais pensada e trabalhada. É a consolidação de algo que virou uma marca registrada: um toque mais pessoal em todas as letras, com as experiências dos caras, vide “Macarroni Girl”, “Metal Princess” e tópicos tipicamente cariocas como “Tivoli Park”. Tive o prazer de compor uma música para o disco que, sem saber, seguia essa linha: “All My Friends Are Falling in Love”. É sobre todos os caras deixando de ir a tradicional pelada que jogávamos nas noites e madrugadas de terça, por causa das namoradas. E tive a surpresa de ter uma música (mentirosa) batizada com o meu nome: “Seidl Doesn’t Have All Ramones Álbuns” inspirada numa discussão embriagada no Baixo Gávea com o Henrique sobre se ter os All the Stuff and More 1 e 2, os primeiros discos do Ramones a saírem em CD, contariam para uma coleção completa. Para mim, e acho que para o momento do rock independente também, um clássico.”
(Fábio Seidl – eterno ACK)

“Há dez anos atrás não era qualquer banda que gravava um cd, e o mp3 não era essa febre que é hoje, então quando uma banda independente lançava um cd, você parava e escutava com calma, reparando no encarte e decorando as letras. O “Back to Basics” é desta fase, para mim a melhor que já tivemos. Esse cd foi durante muito tempo minha principal trilha sonora dos rolés de skate, e com certeza marcou uma fase incrível da minha vida. O Carbona pra mim é a prova viva de banda que toca por que ama, e qualquer retorno que surgiu foi por puro mérito e qualidade da banda, que outros métodos fiquem omitidos por aqui. Acho que o Brasil tá precisando de um “Back to Basics”, menos tempo no espelho e mais no estúdio. Música sincera, simples e direta.”
(Mateus – Phone Trio)

“Apesar de na epoca o cd ser algo vendavel, o “back to basics” era muito acima da media de outros titulos e eram disputados na 13 records. O disco é muito bom e é um dos meus favoritos do Carbona”
(Fabio Mozine – Mukeka Di Rato/Merda/Os Pedrero)

Enquanto isso, no twitter:

“‘Back to basics’… eu curtia, era legal o sotaque do cara. até hoje eu me pego cantando músicas daquele album as vezes. Principalmente metal princesse e macarroni girl. in love with a groupie também era legal”.
@Folxhm

“capa ramones, músicas que grudam na cabeça. Lembro até hoje do lançamento do CD no Armazém 7, Santos. Marcou uma época boa da cena”
@renatomelo09

“o go carbona go! é melhor, mas não tira o brilho desse disco! coffee with you! lunatic é melhor que lunático! hahaha”
@luizbejota

“Disco bom! clássicos da banda como Lolypop Lemon Drops, macarroni girl e All my friends are falling in love! rock 3 acordes!”
@mairont

“Back to Basics” – Uma aula de como fazer música boa com melodias e letras simples, numa época em que não tinha chororô na cena.”
@romani83

“Bom disco de rock. Carbona em inglês nos primórdios. Embora prefiro outros álbuns, os conheci através de “BACK TO BASICS””
@toticore

“um dos melhores discos do punk rock bubblegum nacional… melodias simples e grudentas”
@betoramone

“porra, back to basics é clááásico. henrique botando pra foder nesse cd, demais. clássico mesmo!”
@viniciusliessi

Para baixar o disco: http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=4869